Rogério Feltrin, baixista e fundador da banda Rosa de Saron, concedeu uma entrevista ao blog MZN News esclarecendo algumas polêmicas.
Confira:
A música católica brasileira vive um momento inédito: nunca artistas religiosos estiveram tanto em evidência, quanto agora.
Desde quando Pe. Zezinho, scj ousou inserir guitarras e pandeiros nas missas que celebrava nos anos 60 e o fenômeno da eclosão de padres cantores como Marcelo Rossi, Zeca, Fábio (do Ceará) e Hewaldo Trevisan, é a primeira vez que vemos, realmente, a música católica mostrar a força que possui.
Com Fábio de Melo, Jake, Rosa de Saron e Anjos de Resgate no ápice de suas trajetórias, falamos sobre a música católica em um texto anterior (há um mês atrás, texto este, que foi descaradamente copiado por uma Revista Semanal…), porém, uma polêmica recaiu sobre os fãs e admiradores da Banda Rosa de Saron.
Refrões Grudentos, Letras Superficiais, Trilha Sonora de Malhação… essas expressões causaram estranheza nos Rosarianos (os admiradores do Rosa de Saron) e a polêmica se instaurou. A melhor forma que encontramos para pôr fim às especulações, foi ouvir Rogério Feltrin, do próprio Rosa de Saron, que numa entrevista inédita e exclusiva, fala como a banda encarou essa (e tantas) outras polêmicas.
MZN News: Tudo bom Feltrin?
Queria agradecer pela sua disponibilidade em conceder esta
entrevista exclusiva…
Feltrin: Imagina, é sempre uma alegria e
uma honra poder falar sobre as coisas de
Deus…
MZN News: Enfim. Gostaria
de começar a entrevista, pedindo minhas sinceras desculpas pelo
mal-estar que as declarações feitas na matéria causaram junto aos
fãs do Rosa de Saron e à banda…
Feltrin: (risos) A polêmica se
instaura com facilidade entre os nossos fãs, mas não implique
com eles não, são pessoas do bem!
MZN News: Bom… para
começo de conversa, quando disse que as letras falam de Deus de
forma “superficial”, eu quis exaltar que o Rosa, na
maioria de suas músicas, não fala de DEUS diretamente, mas através
de figuras de linguagem… ao melhor estilo, por exemplo, de
outros compositores católicos como Fabio de Melo e Maninho…
estou enganado quanto à essa percepção?
Feltrin: Bom, primeiramente é seu
direito achar ou não nossas letras superficiais, mais direito ainda
você tem em expressar suas opiniões no seu próprio blog (risos),
mas já que você perguntou… na verdade gosto de acreditar que
nossas letras são profundas, nesse caso então meu ponto de vista se
opõe radicalmente ao seu.
Porém, se na verdade o que você queria dizer que nossas letras são indiretas, subjetivas, etc.. aí sim, obviamente que concordo com você, nesse caso, com todo respeito, você não foi feliz na forma de expressar isso.
MZN News: (risos) É
verdade… eu queria ter dito de forma implícita… fui
infeliz, mas a intenção foi realmente esta. Agora, por favor
(risos)… explique para os fãs: “refrões
grudentos” é uma expressão comum entre críticos de música
popular… a banda Rosa de Saron se sentiu ofendida por essa
afirmaçao?
Feltrin: (risos) Não, quanto a isso
não, pode-se dizer até que isso é elogio. Refrões grudentos é
quando você ouve a música e já sai cantando, quando a música
“te pega” e você não consegue parar de cantarolar,
música que cola, todos os grandes hits são grudentos, o sonho de
todo compositor de musica de genero popular (pop, rock, sertanejo,
pagode) e conseguir criar um “refrão grudento” que caia
no gosto das pessoas e por incrivel que pareça isso é uma tarefa
muuuito difícil.
Contrato Codimuc, Rosa e Som Livre
MZN News: Eu vi em
seu blog pessoal, que a banda e a gravadora Codimuc assinaram um
contrato de distribuição do CD/DVD Acústico ao vivo… como
foi ou está sendo para a banda ter seu CD sendo anunciado em
grandes lojas virtuais e ter vinhetas transmitidas no intervalo da
maior emissora de TV do Brasil?
Feltrin: Estamos felizes e na
expectativa de que isso reverta em projeção do trabalho, mas por
enquanto isso é muito recente, ainda não deu pra sentir um reflexo
disso.
MZN News: No texto, falamos
sobre vários artistas católicos. Mas citando o Padre Fábio, que
seguiu caminho semelhante ao Rosa de Saron e se tornou um fenômeno
de vendagens, e inclusive, terá a faixa “Vida” do seu
último CD inserido na trilha sonora da próxima novela das 7…
como o Rosa encara isso? Vocês esperam a mesma coisa? Gostariam de
ver uma música de vocês na novela Malhação, por exemplo?
Feltrin: A gente encara com alegria,
porque quem está na música cristã a muito tempo sabe que as pessoas
encaram, na maioria, a música religiosa com desprezo, com desdém,
como cafonice, etc.. Então quando um artista consegue impor sua
obra, fazer com que as pessoas a olhe com mais respeito, todo mundo
ganha, porque as pessoas passam pelo menos a notar aquilo que a
gente faz.
Já sobre o que esperamos, é claro que esperamos conseguir conquistar mais espaço, mas reconhecemos que o Pe. Fabio se tornou um fenômeno, assim como Pe Marcelo Rossi, como a música “Ana Julia” do Los Hermanos, como Mamonas, etc. (guardando as devidas proporções) e esses fenomenos são muito difíceis de se repetir, estamos bem com os pés nos chão quanto a isso.
Sobre ter a música em uma novela, ou numa série, com certeza seria legal pra gente. Desde que montamos a banda tocavamos em festivais de rock q não tinha nada a ver com a Igreja e isso nunca anulou nossa identidade de católicos que somos. Não gosto de restringir as possibildades das coisas de Deus
MZN News: O Padre
Joãozinho, em um post em seu blog pessoal, chamou o Rosa de Saron
de “Rockeiros Convertidos”. Como vocês receberam essa
crítica positiva dele? Principalmente quando ele sugeriu que vocês
se “secularizassem”?
Feltrin: Pe. Joãozinho acabou se
tornando um grande amigo ultimamente, a opinião dele é daquelas que
tem peso, por toda a história, cultura e inteligencia dele. Então
ficamos extremamente lisonjeados com os elogios que ele nos
fez.
Quando ele diz “secularizarem” ele não quiz dizer “abandonar o cristianismo”, “virar banda secular”, mas sim buscar permear a sociedade com valores cristãos. Evangelizar não é só conseguir levar uma pessoa para o grupo de oração, é também você conseguir implantar os valores morais e éticos referentes a nossa fé… Por exemplo, um deputado não se converteu, mas você conseguiu convece-lo a votar contra o aborto, é uma forma de realizar a obra de Deus.
E a música é formadora de opinião, por isso é
importante músicas com conteudo verdadeiramente cristão penetrar na
cultura de uma sociedade, para
“cristãnizá-la”.
MZN News: Ainda sobre o
Rock, você acha que a opinião de pessoas de dentro da Igreja (como
o próprio Padre Joãozinho), mudaram em relação ao Rosa de Saron, em
função da mudança do som da banda com a saída de Tchelão e a
entrada de Guilherme?
Feltrin: Não acredito que tenha uma
relação direta, acho apenas que a banda foi amadurecendo, não digo
só musicalmente, mas como missão, vocação. Isso
foi conquistando a credibilidade e a simpatia de pessoas que
talvez não simpatizassem tanto no passado. Foi um processo natural
e acredito que, mesmo por outros caminhos, acabaria acontecendo com
o decorrer do tempo.
MZN News: Esta entrevista
girou em torno da polêmica que ALGUNS dos fãs do Rosa
criaram… como a banda encara essa questão de
“fãs” quando o gênero musical que vocês tocam, é uma
música evangelizadora, que em tese, as atenções devem ser voltadas
para Deus e Jesus Cristo?
Feltrin: Entendo como normal, com
serenidade, o fato de Jesus ser o primeiro na minha vida não impede
que eu me afeiçoe às pessoas ou trabalhos… Se você falar mal
do Papa eu não vou gostar, se falar daqueles que eu amo também não.
É natural na vida a gente admirar pessoas ou o trabalho
delas
MZN News: Você acha que
existe diferença, então, entre ser “fã” e ser
“fanático”?
Feltrin: Como a raiz da palavra é a
mesma, muita gente tem preconceito com o termo “fã”,
mas, nas linguas vivas como o português, as palavras se
desgrudam (diferente de nossos refrões kkkkk) da sua raiz
facilmente e adquirem sentido proprio… acho que daria
pra citar inúmeros exemplos.
Quando eu penso em fã, não penso em fanáticos não: para mim a palavra é adjetivo de alguém que gosta e admira muito uma pessoa ou o trabalho dela… Claro que um fã pode ser fanático ou não. Se alguem é fanatico por um time de futebol, você chama de “torcedor fanático”, mas não chama de fã, entende? Então, resumindo, pode existir o fã fanático (risos) aí sim seria uma expressão q uetransmite a idéia plenamente
MZN News: É legal saber que existem jovens de outras religiões ou
denominações cristãs que curtem o trabalho de vocês?
Feltrin: Muito, muito legal
mesmo… aprendi com o passar dos anos que a MINHA experiência
de Deus deve me levar a me aproximar do outro, não me afastar. Tive
a alegria de fazer grandes amigos evangélicos.
Eu até posso questionar dento de mim a doutrina deles, mas não posso questionar a sinseridade do amor a Deus e a fé dessas pessoas… inegavelmente conheci pessoas verdadeiramente de Deus em outras igrejas.
Se Deus não volta as costas pra elas, quem sou para faze-lo? Acredito também no poder da mensagem do que a gente canta, que isso pode ser sinal do amor de Deus na vida das pessoas… não me sinto no direito de querer limitar isso a uma placa na porta da igreja.
E digo mais: minha convivencia com evangélicos nunca diminuiu em um milésimo sequer o amor que tenho pela Igreja Católica Apostólica Romana, da qual eu tenho a honra de pertencer pelo meu batismo.
Feltrin: Não, nunca incomodou, alias nossas músicas são cantadas com uma frequência incrível em cerimônias de casamento, eu acho isso lindo.
MZN News: Você não acha que na Música Católica falta ainda “baladas românticas” para embalar corações apaixonados? Pelo menos, na música protestante eu já vi até uma Coleção de CDs com essa temática…
Feltrin: Então, a gente acaba se preendendo em fazer músicas de orações e esquece que a vida tem outros momentos também que merecem trilha sonora. Eu sou daqueles que acha que a arte e a música católica devem percorrer nossa vida como um todo, o tempo todo.
Ontem vi uma propaganda na TV de um carro em que um grupo de amigos ficam cantando “amigos para sempre lalaia laia laia” uma música famosa aí q eu não lembro quem gravou… Já pensou se fosse “amiiiigoooos, pra sempreeeeee” do Anjos de Resgate? Seria legal! (risos)



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