Não gosto de sensacionalismo, acho que a TV e os veículos de comunicação em massa do nosso país já cuidam muito bem disso.
Mas na semana passada, durante 100 horas acompanhamos o sequestro da jovem Eloá até a invasão da polícia, e posteriormente o seu estado clínico até o seu falecimento.
Tentei ao máximo não escrever sobre esse assunto, que muito causou e ainda vai causar polêmica. Mas não escrevo para apontar culpados, erros ou acertos de estratégias policiais. Escrevo apenas pensando que, se de um lado um jovem refletia a loucura e a crueldade, de outro uma jovem provava o verdadeiro sentido de uma amizade. Se de um lado Lindemberg tentou ser o dono do coração de Eloá, hoje o coração dela percente e dá vida à Maria Augusta.
Quem ama de verdade não mata, morre de amor. Trocando a sua própria liberdade, Nayara em um gesto de cumplicidade absoluta se tornou a calma para Eloá quando as duas habitavam o próprio desespero. Eloá tinha ali diversos motivos para não acreditar em mais nada e em mais ninguém, mas a sua amiga lhe fez desfrutar, ainda que em um momento de profunda dor, do sentimento mais nobre da vida: o amor.
Displicência da polícia? Também acho que sim. Mas nada diminui a nobreza e a coragem do ato desta jovem, que fez algo que muitos e isto acho que me inclui, não fariam.
Em meio ao desastre e à violência o amor deixou a sua marca, deixou os seus frutos.



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